quarta-feira, 18 de julho de 2018

Organização Gongombira promove oficinas gratuitas durante todo o mês de agosto



Com o objetivo de promover a cultura afro-brasileira e incentivar a independência de mulheres negras, a Organização Gongombira de Cultura e Cidadania, em Ilhéus, abre inscrições para as oficinas gratuitas de Fotografia, Dança, Percussão, Turbantes e Penteados Afro, Encadernações e Projetos Editoriais Artesanais.
As atividades fazem parte da terceira edição do projeto Mãe Ilza Mukalê (MIM III), que acontecerão durante todo o mês de agosto, no Terreiro de Matamba Tombenci Neto, localizado na Avenida Brasil, Alto da Conquista. Para participar, é necessário preencher o formulário disponível no link https://goo.gl/forms/GE2h5KKb6vIkHQhl2 e escolher a oficina que deseja.
No dia 4 de julho, às 15 horas, a fotógrafa Marcela Bonfim irá ensinar técnicas de fotografia profissional utilizando smartphones. A profissional é nacionalmente reconhecida pelo seu trabalho (Re)conhecendo a Amazônia Negra: Povos, Costumes e Influências Negras na Floresta, em que registra o legado da população negra amazônica.
De 6 a 9, será realizada, pela primeira vez, uma oficina de Percussão exclusiva para mulheres, que será lecionada pela percussionista soteropolitana Sanara Rocha, multiartista, produtora cultural e mestranda em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela propõe, através de exercícios rítmicos práticos, iniciar mulheres no universo da percussão como estratégia de empoderamento.
As oficinas de Encadernações e Projetos Editoriais Artesanais acontecerão de 13 a 31 e serão ministradas respectivamente por Cynthia de Cássia Barra, doutora em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMA) e professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e Juliane Matarelli, bacharel em linguística pela UFMG, que atua como editora, revisora de textos e trabalhará a escrita autobiográfica e o desenvolvimento de um trabalho editorial a partir disto.
No dia 25, às 15 horas, será realizado mais um Zendembás, com roda de conversa sobre autoestima de jovens negros e negras e oficinas de turbantes e penteados afro, com a participação de Dani Jêje e Preta Ashanti, membros da Casa do Boneco, em Itacaré.
Encerrando as atividades do projeto, de 3 a 6 de setembro, acontecerá a oficina de Dança Afro, ministrada por Neide Rodrigues, Makota do terreiro, dançarina e coreógrafa, atual Rainha do Maracatu de Serra Grande, além de já ter participado dos espetáculos Kianga e Malunda.
O projeto também contará com os Encontros da Oralidade, onde Mãe Ilza Mukalê, matriarca do terreiro, receberá convidadas para discutir temas que estão em evidência na sociedade. O primeiro encontro acontecerá no dia 3 (sexta-feira), às 19 horas, com a fotógrafa Marcela Bonfim para discutir sobre “Arte e Ativismo de Mulheres Negras: Empoderamento e Resistência” e contará com uma apresentação da artista Eloah Monteiro, com um show intimista. A entrada é gratuita.






CONVITE - Festejos Religiosos do Mês de Julho no Terreiro de Matamba Tombenci Neto


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Organização Gongombira comemora 14 anos de fundação promovendo o empoderamento dos jovens negros


Em 20 de junho de 2004, no Alto da Conquista, em Ilhéus, nasceu a Organização Gongombira de Cultura e Cidadania, instituição sem fins lucrativos ligada ao Terreiro Matamba Tombenci Neto, um dos mais antigos e tradicionais de candomblé Angola na Bahia, que desenvolve projetos nas áreas de arte, cultura e educação.
Fundada há 14 anos por Marinho Rodrigues, Tata Kambomdo (Ogan) do terreiro, a instituição tem como prioridade atender as necessidades e ofertar uma melhor formação política-cultural para lideranças regionais do movimento negro e jovens em situação de vulnerabilidade social na cidade.
A instituição trabalha, por meio da execução de diversos projetos socioculturais, a preservação, valorização e divulgação da cultura afro-brasileira, bem como a luta contra o racismo e a discriminação social.
Cerca de mil jovens já foram contemplados nos mais de 100 projetos desenvolvidos pela instituição até hoje. Alguns que merecem destaque são: Festejos de Ogans (2010), Mãe Ilza Mukalê (2012 e 2014), Otambí (2010 e 2017) e Música e Dança: O Jeito Jovem de Fazer Política (2017).
Além dos projetos desenvolvidos, a entidade fundou e administra alguns espaços importantes, como o Memorial Unzó Tombenci Neto, a Biblioteca Valentim A. Pereira – Ponto de Leitura Tata Kandemburá e a Escola de Percussão e Dança Afro Ngomas.
A Gongombira também mantém parcerias com outras organizações sociais e públicas do país e região, como a Tenda Teatro Popular de Ilhéus, Bloco Afro Dilazenze, Universidade Federal do Sul da Bahia, Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), entre outras.
Ao longo desses 14 anos, diversas pessoas trabalharam nos projetos e centenas de jovens foram capacitados em oficinas e minicursos oferecidos pela Gongombira, como confecção de bijuterias, capoeira, dança, percussão, fotografia, audiovisual, edição de vídeos, entre tantos outros.
Marinho Rodrigues destaca a importância de tornar os projetos acessíveis principalmente a jovens negros moradores do Alto da Conquista. “Nossa instituição tem, também, como objetivo manter os jovens longe das drogas e do crime e, assim, contribuir na formação de adultos que irão cooperar na construção de uma sociedade mais justa para todos”, completa.
Quem já teve a oportunidade de contribuir em algum projeto, faz questão de ressaltar a importância de uma instituição como a Gongombira na cidade. Edson Ramos, professor e gestor cultural comenta que a organização em parceria com o terreiro “se estrutura com ou sem a participação de políticas públicas para continuar esse trabalho de reafirmação cultural pelos próximos séculos”.
Ana Cláudia Cruz, professora universitária, destaca que uma das principais características da instituição é “o comprometimento com a luta contra o racismo e com o desenvolvimento da comunidade negra, com a transparência de suas ações e com o respeito aos participantes”. Ana completa que os “diversos projetos e eventos produzem reflexões, promovem o conhecimento, inspiram as pessoas, especialmente os jovens, para o crescimento pessoal e coletivo”.
Neste delicado momento em que vivemos, em que forças reacionárias e racistas parecem ganhar força, a Gongombira é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, diversificada e bonita”, evidencia Marcio Goldman, professor universitário que já colaborou em diversos projetos da entidade.    
A professora Raissa Santos já participou de dois projetos e relata que “foram experiências ricas que ficaram marcadas na minha construção”. Ela ainda destaca como se reconectou com sua ancestralidade ao “fortalecer a conexão com minhas raízes africanas e conhecê-las um pouco mais”.
Para a dançarina e artesã Fabrine Ferreira, que teve a oportunidade de participar de uma oficina de dança afro, sua experiência foi enriquecedora. “A oficina de dança afro da qual participei, agregou ainda mais na minha carreira de dançarina, me fez ressignificar os movimentos, a técnica, me fazendo mergulhar na dança”.
Seguindo o calendário de atividades da Organização Gongombira de Cultura e Cidadania, em agosto será realizada a terceira edição do projeto Mãe Ilza Mukalê (MIM III), contemplado no edital da Década Afrodescendente da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Em breve, as inscrições gratuitas estarão disponíveis.
Acompanhe as atividades da organização:
Facebook e Instagram: @gongombira.ong
E-mail: gongombira@yahoo.com.b

quarta-feira, 14 de março de 2018

Comemorações dos 84 Anos de Mãe Ilza Mukalê.


Festa de comemoração dos 84 anos de minha Mãe Ilza Mukalê. Noite de muitas alegrias  com Familiares e amigos . Vida longa pra nossa Rainha .



























  












segunda-feira, 12 de março de 2018

Mãe Ilza Mukalê completa 84 anos nesta terça-feira


A matriarca do Terreiro Matamba Tombenci Neto completa, nesta terça-feira, dia 13, 84 anos de vida, com muita histórias de luta, resistência e constante superação. Mãe Ilza, como é carinhosamente chamada, nasceu em 1934, filha de Valentin Afonso Pereira e de Izabel Rodrigues Pereira (D.Roxa).
Mãe Ilza revolucionou o jeito de ser mãe de santo em Ilhéus, transformando o Terreiro Matambta Tombenci Neto também num complexo cultural, que recebe seminários, congressos, oficinas artísticas e diversas apresentações culturais.

Mãe Ilza é filha de Matamba (Iansã) e sua dijina é Mukalê. Tem mais de 70 anos de feitura. Assumiu o cargo de mãe de santo e o terreiro em 1975, herdando o trono de sua mãe Dona Roxa, estando há mais de 40 anos à frente do Terreiro Matamba Tombenci Neto, que está já na sua quarta geração.

sábado, 10 de março de 2018

Histórias de luta e superação marcam a entrega do Troféu Mãe Ilza Mukalê 2018


O Dia Internacional da Mulher, na última quinta-feira (8), foi comemorado com muitas homenagens a diversas mulheres guerreiras, que são protagonistas de suas narrativas, com muitas histórias de luta, resistência e superação, na quinta edição do Troféu Mãe Ilza Mukalê, realizada no Terreiro Matamba Tombenci Neto.
O evento contou com a presença de profissionais de diversas áreas, militantes de movimentos sociais e representantes de entidades socioculturais de Ilhéus e região, que receberam a homenagem que leva o nome da matriarca do terreiro, que também comemorou o seu aniversário de 84 anos.
O público pôde conferir apresentações da jovem poetisa Stella Bárbara, que declamou sobre as vivências de uma mulher negra em meio à nossa sociedade; do Balé Afro Gongomgbira, que emocionou a todos com  números de dança afro e, por fim, a cantora Eloah Monteiro, que transmitiu em suas composições a revolta, luta e força das nossas mulheres.
Além das homenageadas, o evento contou com a presença de Mãe Carmosina, do Terreiro de Umbanda Sultão das Matas; Ruy Póvoas, professor universitário e babalorixá do Ilê Axé Ijexá, em Itabuna e Maria de Lourdes Siqueira, professora da Ufba e diretora do bloco afro Ilê Aiyê, de Salvador.
Das mãos de Mãe Ilza Mukalê receberam o troféu: Maria Domingas Mateus de Jesus, graduada em psicologia e professora da rede básica de ensino de Itabuna; Ana Diniz, fundadora e atual diretora do Maracatu Estrela de Serra e do Coco Azeite de Dendê, ambos em Serra Grande; e, também, Maria do Socorro Pastor Diamantaras; professora, advogada e gestora cultural.
Emocionada, Maria do Socorro Pastor descreveu a sensação de receber o Troféu Mãe Ilza Mukalê. “Privilégio estar aqui recebendo esta homenagem. Foi uma das maiores que já recebi em toda a minha vida”, destacou. Com lágrimas nos olhos, Maria Domingas, fez questão de dedicar o prêmio às mulheres que já passaram por sua vida. “Esse troféu representa todas as mulheres que compõem a minha história”, disse.
Também reberam o troféu, Janira Jesus Souza de França, coordenadora administrativa da Escola Agrícola Comunitária Margarida Alves, em Ilhéus; Nane Albuquerque, professora universitária e diretora geral da Rádio Uesc; Elinalva Barros dos Santos (Suy), apoiadora, voluntária e militante dos movimentos de Reforma Agrária e organização de trabalhadores/as rurais e Flávia Alessandra, professora universitária e coordenadora do Comitê Permanente Institucional para Enfretamento da Violência Contra as Mulheres, na Uesc.
Maria da Conceição dos Santos Pereira (Mãe Conceição), filha Mãe Carmosina, é fundadora e yalorixá do Terreiro de OgunJá, de Nação Angola, desde 1982; Rachel de Oliveira, professora universitária e doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos; Mãe Nilce de Iansã, coordenadora de Projetos do Ilê Omolú e Oxum (RJ) e Coordenadora Nacional da Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde.
Encerrando o evento, Mãe Ilza não escondeu o desejo de homenager mais mulheres no próximo ano. “Se pudesse, homenageria todas as mulheres, pois cada um tem sua história, sua luta”. E explicou a importância desse evento na elevação da autoestima da mulher. “É importante reconhecer a trajetória de luta de cada mulher, por isso criamos esta singela homenagem, que contribui para que elas se sintam melhor em meio a tantos problemas do dia a dia”, finalizou Mãe Ilza.
O evento foi uma realização da Organização Gongombira de Cultura e Cidadania com apoio do ateliê Awô Omi, do artista plástico soteropolitano Alessandro Teixeira, que assina o design dos troféus nesta edição.